mau comportamento

Toda criança vai passar por uma fase mais complicada, por aqueles momentos estresantes de mau comportamento. O que fará uma grande diferença é a forma que a família irá lidar com isso. Qual será a abordagem e o acolhimento que a criança estará recebendo para passar por isso.

Quando falamos na abordagem, não é em momento algum passar a mão na cabeça ou mimar a criança. É buscar entender o que está por trás daquele comportamento e tomar medidas construtivas, ao invés de punitivas.

Para te ajudar nesse processo de observação do porque o mau comportamento está acontecendo na sua casa, vamos abordar diversos questionamentos ao longo deste artigo. Sempre lembrando que não há uma regra certa para todas as crianças do mundo, só que há sim coisas comuns que costumam funcionar lidando de uma maneira específica.

O primeiro ponto para se observar é se esse comportamento que a criança está tendo é compatível com a idade dela. Vem ver isso mais de perto a seguir…

O comportamento é compatível com a idade?

Cada idade conta com um conjunto de comportamentos totalmente normal para a faixa etária. Aqueles que fazem parte do desenvolvimento físico, mental e emocional. Por mais que seja díficil, é apenas uma parte do desenvolvimento e você pode relaxar, não há nada de absurdo e você não está falhando na educação dos seus pequenos.

Para que você tenha certeza, é só analisar essas atitudes ano a ano da vida da criança. Dá uma olhada nos comportamentos que você pode esperar do seu pequeno:

  • De 0 a 12 meses: Os bebês choram muito e é tudo de acordo com a necessidade. É fome, fralda suja, mal estar, dentinhos e outras coisas do tipo;
  • De 1 a 2 anos: Os pequenos estão começando a descobrir o que é o “eu”. Só que ainda não sabem dividir ou pensar nas outras percepções. Nessa fase tudo é deles e a curiosidade fala muito alto. Tentam pegar tudo o que veem pela frente, jogam os brinquedos no chão e lá pro final ainda começam as birras que aparecerão muito na próxima fase;
  • Aos 3 anos: Nesse momento as crianças estão perdidas entre querer ser independente e fazer tudo sozinhos. Ou serem bebês, ganhar comida na boca e ficar no colo o tempo inteiro. É quando as birras aumentam muito e é preciso bastante jogo de cintura;
  • Aos 4 anos: Agora é quando eles irão começar a interagir com as outras crianças, brincar juntos mesmo. Só que também é quando vão começar a definir tudo como “legal” ou “chato” e outros termos do tipo. São extremamente competitivos e ainda terão certa dificuldade para se expressar (o que pode gerar algumas ações não tão boas);
  • Aos 5 anos: Aqui as crianças se tornam muito exigentes quanto ao que vão comer ou vestir. Já entendem as regras, mesmo que não as cumpram sempre. ´É comum o medo de falhar e até pesadelos durante a noite. Suas emoções podem oscilar muito por causa da escolinha;
  • Aos 6 anos: As birras podem reaparecer, eles acham que já sabem tudo que tem para saber. Ao mesmo tempo vão querer reconhecimento pelas coisas boas feitas e desenvolver muito mais as habilidades. Além disso estarão testando muito os seus limites;
  • Aos 7 anos: Essa é a idade em que as crianças estão mais atentas sobre o que as outras pessoas pensam. Eles reclamam muito e podem se tornar bem dramáticos sobre acontecimentos do dia a dia;
  • Aos 8 anos: Podem começar a brigar muito, querendo estar sempre certos. Também ficam bem sensíveis ao que os outros pensam sobre eles;
  • Aos 9 anos: Vão valorizar muito as amizades e o que elas pensam, às vezes mais que a família. Serão amorosos, mas também muitas vezes egoístas;
  • Aos 10 anos: Não haverão mais tantas birras em casa. No entanto ainda será necessário esclarecer bem regras e as crianças podem acabar brigando para mudá-las.

Depois de tudo isso vem a adolescência, que já é uma história totalmente diferente da que estamos vendo aqui. 

Então nesse primeiro momento, você viu se aquele mau comportamento que o seu pequeno está tendo é compatível com sua idade. Só que além disso ainda há outros fatores que podem agravar esses comportamentos. Preste atenção a seguir…

Vocês estão passando por algum período de transição?

Períodos de mudanças, transições, são difíceis para qualquer pessoa. Agora, para uma criança que ainda está aprendendo a lidar com suas emoções, uma transição pode se tornar em algo massante e estressante. Isso tanto para as crianças quanto para os adultos.

Essas transições podem ser todos aqueles momentos entre uma atividade e outra. Por exemplo entre o café da manhã e ir para escola, entre o brincar e ir fazer a lição de casa… Todos aqueles momentos nos quais a criança tem que parar de fazer uma atividade para fazer outra. Principalmente quando o que a criança está fazendo é algo que ela realmente gosta. A criança não vai querer parar de brincar com seu brinquedo favorito para jantar. Ou comer mais rápido para não se atrasar para a escola.

Então em cada pequena etapa da rotina, pode acabar tendo um gatilho para uma birra ou mau comportamento. É claro que a criança precisa aprender a escutar e seguir com a rotina. Só que dá para combinar essa escuta com algumas pequenas atitudes da sua parte que podem deixar tudo mais fácil.

Como por exemplo:

  • Avisar que depois de fazerem aquela atividade irão para a próxima. Vocês podem até mesmo negociar um tempo. Como 5 minutinhos por exemplo, assim a criança tem a possibilidade de brincar mais um pouco (ou terminar qualquer outra atividade) e ao mesmo tempo já se prepara mentalmente para a próxima tarefa;
  • Cantar músicas que ajudam nas transições. Como “guarda guarda guarda…” para guardar brinquedos ou “para ouvir o som do mosquitinho e as batidas…” para ter silêncio antes de uma história ou outra atividade de concentração;
  • Brincadeiras que a criança se interessa. Por exemplo, se a criança tem que ir no banheiro, mas não quer ir, você pode fazer uma corrida até lá. Aquele famoso “quem vai chegar primeiro?”;
  • Escolher bem as suas palavras. Muitas vezes olhando nos olhos da criança e explicando com calma pode facilitar muito a transição, evitando todo aquele estresse;
  • Com uma rotina visual. Colocar a rotina na parede de casa, com tudo que costuma ter no dia pode ajudar muito a criança. Assim ela sempre pode ver em que momento do dia ela está e o que virá depois.

Todas essas são maneiras super simples, que não exigirão nenhum investimento financeiro ou muito tempo. É só a sua força de vontade em acolher a criança um pouquinho mais e deixar essas transições um pouco mais fáceis.

Há também aquelas transições maiores, que envolvem ainda mais o emocional da criança…

O que mais pode estar por trás do mau comportamento?

O mau comportamento pode ter diversos motivos diferentes e um deles pode ser a maneira da criança expressar que algo está errado. Como as transições, as mudanças. Só que com situações muito mais significativas do que a rotina do dia a dia.

Quando a criança começa a ir para a escola, está aprendendo a usar o banheiro, começa a dormir sozinha ou mesmo quando perde alguém especial. A separação dos pais, a chegada de um novo irmão…

Todas essas são situações, transições, mudanças, que podem estar por trás do mau comportamento da criança. Que está por trás da raiva, angústia e medo. Por trás de todas aquelas emoções que a criança ainda não sabe como lidar.

Será que uma educação punitiva é mesmo a maneira certa para lidar com uma criança passando por alguma dessas situações?

O carinho e amor são demonstrados?

Algumas vezes o que a criança está realmente precisando é carinho e atenção. É parar um pouquinho com as brigas e cobranças, e aproveitar a companhia um do outro.

Como sempre falo, isso não significa passar a mão na cabeça por coisas que não são aceitáveis. E sim parar e aproveitar o momento em que vocês estão, fazer algo juntos, passar um tempo de qualidade. Demonstrar o amor e que a família não é só para julgamentos ou cobranças.

Só que tudo isso sem deixar de ser firme quando necessário…

As decisões da casa são claras e firmes?

Por mais que algumas coisas parecem óbvias para ti, elas podem não ser tão óbvias para as crianças. Regras como não correr dentro de casa, jogar bola só no pátio ou não assistir televisão durante as refeições são coisas que devem ser conversadas.

Uma ideia legal é sentar com seu pequeno e conversarem juntos “o que você acha que é ok ou não?”. Escute seu filho e também explique os pontos para as coisas serem como são. Depois disso é apenas manter a firmeza de suas decisões.

Não pode assistir televisão durante as refeições? Então não pode, você tem que ser consistente para que a criança realmente entenda o que são regras. A partir do momento que algo foi combinado, deve ser cumprido. Mesmo que haja a necessidade da perda de privilégios, como assistir televisão depois do jantar por exemplo.

A criança passou dos limites, você perdeu a cabeça, o que você faz?

O que você faz quando perde a cabeça?

Lidar com mau comportamento não é fácil, combinado com todos os estresses que você já tem no dia a dia, pode ser bem complicado. Só que como adulto da casa, o seu papel é ter paciência e equilíbrio emocional para essas situações. A criança ainda está aprendendo a lidar com o mundo e suas emoções. Seu cérebro ainda está se desenvolvendo e apesar de serem muito inteligentes, existem formas e formas de lidar com ela.

Você começa a gritar com alguém no seu trabalho? Ou xingar alguém da família por terem feito algo diferente do que você queria? Você coloca essas pessoas olhando para a parede ou as agride fisicamente?

É absurdo pensar nessas situações entre adultos, porque seria aceitável para uma criança?

Perder a cabeça acontece, ser pai ou mãe não é simples, envolve muitas emoções e até mesmo certo desgaste. Só que, qual a mensagem que você quer passar para o seu filho? É dessa maneira que você quer que ele lide com as situações no futuro?

Se você acredita que não, a melhor forma de resolver isso é conversando. Ter um papo honesto com a criança, se desculpar, explicar que as atitudes deles não estavam corretas, mas não justifica você perder a cabeça. 

Acredite, essa atitude pode ensinar muito mais ao seu filho do que os castigos mais rigorosos.

Falando em assumir o que fez e se desculpar, seu filho assume a responsabilidade pelo o que faz?

Seu filho assume a responsabilidade por suas ações?

Ensinar a assumir a responsabilidade pelo que foi feito evita a repetição daquele comportamento no futuro. Ninguém gosta de falar que estava errado e não é diferente para as crianças.

Então ter conversas francas, explicar o que foi o erro e o porque foi errado é essencial para uma boa educação. Sempre é bom ouvir a criança e também pedir para que ela mesma lhe explique. O que aconteceu? Você acha que essa foi uma atitude correta? Porque você a fez? O que vai fazer a partir de agora?

São pequenas reflexões que vão atingir a criança de outra forma. Ela não é uma pessoa ruim, mas sua atitude não foi certa e isso não deve se repetir.

E quanto ao perdão?

Você já ensinou a perdoar?

Todo mundo erra, mas ficar guardando rancor, reclamando e voltando para aquela atitude o tempo inteiro não faz bem a ninguém. Esse também é um ponto legal para trabalhar com o seu filho para evitar mau comportamento e torná-lo uma pessoa melhor.

Há diversas formas de fazer isso, a principal delas é através do exemplo. Não ficar cobrando do seu pequeno algo de muito tempo atrás, o foco no agora. Outra forma é através de livros e filmes, que a criança veja esse tipo de situação e também desenvolva a empatia. Ou mesmo através da maior ferramenta da educação, o diálogo.

 Fez sentido essas maneiras de lidar e evitar o mau comportamento infantil? Então vamos para o nosso último tópico para finalizar o tema…

Quantas vezes é dito “não” em casa?

O “não” é uma palavra extremamente negativa e com uma criança correndo pela casa e querendo pegar tudo nas mãos, temos a tendência a repetir muito.

Não faça isso, não pegue aquilo, não corra, não brinque com isso, não mexa ali…

Você já tentou substituir esse não por outras palavras? Explicar o porque a criança deve evitar aquela atitude e as consequências que podem acontecer. Por exemplo ao invés de falar “Não fique em pé em cima da cadeira!” você pode falar “Ficando em pé em cima da cadeira você pode perder o equilíbrio e cair. Que tal ficar em pé ali no ladinho?”. 

Pode parecer bobagem olhando assim, mas para uma criança faz muito mais sentido. Ficar ouvindo o “não” o tempo inteiro chama atenção para aquelas ações, no lugar de distrair e focar em outras coisas.

Esses foram alguns dos porquês e como lidar com o mau comportamento, mas com certeza há muito mais dicas e formas de lidar. O segredo é a paciência e a força de vontade em mudar a sua forma de agir para uma criança mais feliz e educada.

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