O que é Dislexia e como identificar na criança

Preguiça, desatenção, desânimo sobre a escola… Será que é isso mesmo ou tem algo mais? Você sabia que segundo a Associação Brasileira de Dislexia, entre 5% e 17% da população mundial vivem com esse transtorno?

É um número muito alto, muitas pessoas chegam a passar a vida sem saber que tem o transtorno. O que pode causar muitas frustrações ao longo dos estudos e carreira. Não é fácil!

Para tirar todas as suas dúvidas de todos os papais e mamães de plantão, viemos explicar o que é a dislexia e diversos outros pontos essenciais para a sua compreensão. Você aprenderá aqui sobre o seguinte:

  • O que é dislexia?
  • Como identificar a dislexia na criança?
  • Existe algo que ajude na identificação?
  • Qual a importância do diagnóstico?
  • Qual o tratamento para Dislexia?
  • O que fazer quando notar o problema?
  • Como ensinar uma criança disléxica?
  • O que pode ajudar nessa aprendizagem?

Venha com a gente descobrir mais sobre a dislexia, começando com o básico: o que é isso?

O que é Dislexia?

A Dislexia é um transtorno de aprendizagem, é genético e hereditário. Normalmente a visibilidade do problema é maior quando a criança tem dificuldade na hora da alfabetização. Quando a pessoa tem Dislexia, o cérebro dela não consegue processar as imagens gráficas, letras e números da mesma forma. É comum que não se consiga relacionar o som com as letras, alterar a ordem das palavras e ter dificuldade de compreender textos.

Apesar de muitas vezes serem julgados por suas dificuldades, ter Dislexia não significa ser menos inteligente. Inclusive há grandes nomes na humanidade que eram disléxicos e marcaram a história, como por exemplo:

  • Vincent Van Goch – Pintor holândes;
  • Charles Darwin – Biológo e naturalista;
  • Agatha Christie – Escritora de 80 romances e contos;
  • Pablo Picasso – Pintor espanhol;
  • Leonardo da Vinci – Pintor, inventor, poeta e músico;
  • Albert Einstein – Físico vencedor de um Prêmio Nobel.

Essas foram apenas algumas grandes figuras as quais tiveram Dislexia, mas ainda há diversas outras pessoas fazendo a diferença pelo mundo. Por isso é essencial entender que: Dislexia é um transtorno de aprendizagem, mas não deve ser parâmetro para medir a inteligência de ninguém.

E como eu descubro se meu filho, ou qualquer outra criança, vive com essa dificuldade de aprendizagem?

Como identificar a Dislexia na criança?

O diagnóstico de Dislexia não é algo a ser feito em casa, são necessários diversos profissionais. Essa avaliação deve ser realizada por uma equipe multidisciplinar: médico, psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo, neurologista.

Essa equipe conseguirá descartar outros fatores como a situação socioeconômica, problemas emocionais, deficiência de visão ou audição e outros transtornos como déficit de atenção e hiperatividade.

O que você, como responsável da criança, pode fazer é ficar atento aos sinais que podem aparecer. Caso a suspeita persista, encaminhe aos profissionais adequados, para que a criança tenha um diagnóstico assertivo.

Segundo o portal da Associação Brasileira de Dislexia, deve ser levantada a hipótese do transtorno em caso dos possíveis sinais:

Alguns sinais na Pré-escola

  • Dispersão;
  • Fraco desenvolvimento da atenção;
  • Atraso do desenvolvimento da fala e da linguagem
  • Dificuldade de aprender rimas e canções;
  • Fraco desenvolvimento da coordenação motora;
  • Dificuldade com quebra-cabeças;
  • Falta de interesse por livros impressos.

Alguns sinais na Idade Escolar

  • Dificuldade na aquisição e automação da leitura e da escrita;
  • Pobre conhecimento de rima (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras);
  • Desatenção e dispersão;
  • Dificuldade em copiar de livros e da lousa;
  • Dificuldade na coordenação motora fina (letras, desenhos, pinturas etc.) e/ou grossa (ginástica, dança etc.);
  • Desorganização geral, constantes atrasos na entrega de trabalho escolares e perda de seus pertences;
  • Confusão para nomear entre esquerda e direita;
  • Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas etc.;
  • Vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou longas e vagas.”

Quer ver algumas maneiras de analisar os itens listados acima? Então preste atenção a seguir:

Existe algo que ajude na identificação?

Cantigas, contagem dos números e até mesmo Jogo da Forca, são atividades simples que podem mostrar as dificuldades da criança. Por exemplo, a criança não conseguir cantar músicas que ela já ouviu diversas vezes e esperar que você termine, é um sinal para prestar atenção.

Além disso, a melhor forma é estar atento e sempre escutar a criança e as pessoas ao redor da criança. Mantenha contato com a comunidade escolar e esteja presente nas atividades educativas de seu filho.

Você sabe o porquê é tão importante o diagnóstico da criança disléxica?

Qual a importância do diagnóstico?

É comum que uma criança, ou mesmo adulto, com a Dislexia de desenvolvimento, tenha baixa autoestima. Se sinta incapaz, inseguro e podendo chegar até mesmo a depressão. São diversos obstáculos que podem afetar tanto os estudos quanto a carreira da pessoa disléxica.

Por isso, o quanto antes a Dislexia é identificada, mais cedo se começa o acompanhamento. Assim essa criança terá ajuda de profissionais e aprenderá a lidar com suas dificuldades. A escola entenderá as dificuldades do aluno e irá se adaptar para aquelas necessidades.

E acima de tudo: a criança entenderá que ela não é menos capaz que as outras, só precisa aprende de um jeito diferente. 

Lembrando que qualquer que seja o problema, um acompanhamento profissional é sempre o ideal.

E quando meu filho dá sinais dessas dificuldades de aprendizado, o que faço?

O que fazer quando se nota o problema?

A primeira coisa a se fazer quando notar os sinais é entrar em contato com a escola. Conversar com os professores e ir atrás de um time de profissionais que possa fazer o diagnóstico da criança.

Sempre com muita calma e paciência, estude mais o assunto e busque entender as dificuldades do seu pequeno. Quanto mais você acolher seu filho e entendê-lo melhor será lidar com o transtorno.

Tendo o suporte e apoio necessário, seu filho poderá ir muito mais longe, sem sofrer com baixa autoestima ou coisas do tipo. Afinal, são dificuldades causadas por um fator genético, a criança não é preguiçosa e nem tem culpa nenhuma pela situação.

Caso o diagnóstico for confirmado, vocês podem seguir para as próximas etapas para lidar com a dislexia.

Será que existe algum tratamento específico para dislexia? Tenho que dar remédios ao meu filho?

Qual é o tratamento para Dislexia?

Ainda não existe uma cura ou qualquer tipo de medicação contra a Dislexia. O tratamento funciona como uma terapia, com especialistas de várias áreas como psicologia, pedagogia e outros.

Assim os profissionais buscam trabalhar as dificuldades da criança, utilizam diferentes didáticas e metodologias. Ajudando a criança a superar as suas dificuldades, seja com a leitura, escrita, matemática…. 

A criança aprende a lidar com suas dificuldades, a continuar aprendendo apesar delas e entende que tem o seu próprio tempo para aprender e desenvolver. Sem precisar se sentir mal por isso.

Uma característica muito comum entre os disléxicos, como podemos observar através dos grandes nomes que possuem esse transtorno, é a criatividade. Por isso, essa também é uma ótima forma de incentivar seu filho a continuar aprendendo e evoluindo. Através de coisas que estimulem a criatividade!

Como funciona a aprendizagem de uma criança disléxica?

Como ensinar uma criança disléxica?

A Associação Brasileira de Dislexia possui um material super completo sobre “Como interagir com o disléxico em sala de aula”. Um artigo rico em informações que explica alguns pontos cruciais para lidar com a criança disléxica, servindo tanto para professores quanto para a família.

Um ponto que chama muita atenção é que não é indicado exercícios de fixação, muito repetitivos. Já que esse tipo de atividade não diminui em nada a dificuldade que a criança tem.

Outras recomendações importantes da ABD são:

  • Utilizar uma linguagem direta, clara e objetiva, sempre confirmando se a criança realmente entendeu;
  • Estar atento e dar o tempo necessário, já que a criança disléxica será mais lenta em atividades por escrito;
  • Ajudar a criança a se organizar e realizar as suas atividades;
  • Incentivar o uso da agenda para recados e lembretes;
  • Explorar materiais como tabuadas, material dourado, ábaco para crianças nas séries iniciais;
  • Incentivar o uso de fórmulas, calculadora, gravador e outros recursos para alunos de séries avançadas.

Essas foram algumas dicas da ABD, mas sempre há outras formas de ajudar o seu filho…

O que pode ajudar nessa aprendizagem?

A principal maneira que você poderá fazer a diferença na vida do seu filho é o incentivando. Não só cobrando ou falando que ele precisa fazer as atividades da escola, decorar fórmulas e ponto. E sim sendo flexível, se adaptando ao que ele gosta, as coisas que ele entende.

Pensando nisso, separamos algumas estratégias que podem ser utilizadas para auxiliar na aprendizagem da criança disléxica em casa:

Estratégias lúdicas

Criatividade é a melhor amiga da aprendizagem. Atividades diferentes de copiar do quadro e fazer cálculos, podem ensinar as mesmas coisas, mas de maneira mais divertida e simples para a criança.

Histórias, jogos e conversas podem te ajudar muito. Quem sabe até mesmo jogos no computador ou celular.

Rotina estruturada

A criança disléxica tem dificuldade em se organizar, mantendo uma rotina estruturada esse ponto será facilitado (o que serve para qualquer criança). Então manter os mesmos horários para atividades educacionais, criando hábitos de anotar lembretes e conferir os lembretes poderá ajudar muito o seu filho.

Mapas mentais

Essa é uma opção bem visual, que poderá ajudar a criança a visualizar, compreender e estudar os mais diversos conteúdos. Vocês podem fazer juntos, diversificando entre assuntos que ele gosta, por exemplo o time de futebol, e aqueles conteúdos importantes de aprender: como o som das letras, formação de palavras.

Atividades multissensoriais

Montessori, foi uma das grandes pioneiras da Educação que trouxe muito a ideia de atividades multissensoriais com as crianças. Essas atividades permitem que a criança utilize os seus sentidos para a aprendizagem. Como por exemplo, desenhar as letras com os dedos em uma caixa de areia. 

Conclusão

A Dislexia não é uma doença, é um transtorno hereditário que irá acompanhar a vida inteira da pessoa. Por isso, é importante que se entenda essa dificuldade, respeite as limitações da criança e seja o suporte que ela precisa para superar tudo isso.

Quanto antes for identificado, melhor será para a criança aprender a lidar com as próprias dificuldades. Lembrando sempre ter muita paciência e buscar acompanhamento com uma equipe especializada.

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